Em março de 2024, o Ministério
Público de Contas encaminhou ao Tribunal de Contas do Estado Representação MPC nº 004/2024, requerendo a Instauração de Auditoria Operacional para avaliar a efetivação de políticas públicas para atendimento à pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e à pessoa com deficiência.
A partir dessa provocação, o TCE-RS realizou um amplo levantamento em 2025, ouvindo 487 municípios (98% do total). O resultado acaba de ser divulgado e mostra tanto avanços quanto desafios.
O
trabalho identificou 32.842 crianças com
diagnóstico de autismo, além de 8.999 estudantes ainda em investigação
nas escolas municipais. O TCE analisou informações declaradas mediante
questionário por 487 municípios — dos 497 — o equivalente a 98% das
cidades gaúchas. Esse crescimento representa um aumento de 78,8% em
relação aos últimos três anos.
O
levantamento apontou, ainda, que mais de 90% dos municípios gaúchos não
possuem legislação específica para identificar precocemente sinais de
autismo. No entanto, cerca de 69% cidades informaram já ter realizado
algum tipo de capacitação para educadores, embora grande parte dessas
formações tenha carga horária reduzida.
O
estudo também revela fragilidade na articulação entre educação, saúde e
assistência social, três áreas essenciais para o atendimento adequado
de crianças com autismo. Aparece no estudo que 70,6% das secretarias
municipais de educação não participam de redes intersetoriais
permanentes com as áreas de saúde e assistência social para tratar de
casos de TEA.
Desafios na estrutura de apoio especializado
O
levantamento realizado pelo TCE-RS avaliou que embora a inclusão esteja
avançando, ainda há desafios na oferta de apoio especializado. Entre os
principais pontos observados:
• Apenas 55,9% dos municípios possuem cargo específico de professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE).
• Somente 30% possuem cargo institucionalizado de profissional de apoio escolar especializado.
• Cerca de 10% dos municípios relataram filas de espera para o atendimento especializado.
Também
foi identificado que nem todas as crianças recebem o Plano Educacional
Individualizado (PEI) — instrumento pedagógico que adapta o ensino às
necessidades específicas de cada estudante com autismo. No entanto, o
levantamento aponta que 86% dos municípios utilizam o programa estadual
TEAcolhe RS como referência para encaminhamentos e suporte às crianças
com autismo.
O
objetivo do levantamento não foi apenas apontar dificuldades, mas
subsidiar gestores públicos, orientar políticas educacionais e
fortalecer a educação inclusiva no estado. O trabalho também poderá
orientar futuras ações de fiscalização do TCE-RS, além de contribuir
para que os municípios aprimorem seus protocolos, ampliem a formação de
profissionais e fortaleçam a articulação entre educação, saúde e
assistência social.
Leia na integra o levantamento.
Fonte: Assessoria de Comunicação Social / TCE-RS
https://tcers.tc.br/noticia/tce-rs-apresenta-levantamento-sobre-o-atendimento-a-criancas-com-autismo-nas-escolas-municipais/
https://tcers.tc.br/noticia/tce-rs-apresenta-levantamento-sobre-o-atendimento-a-criancas-com-autismo-nas-escolas-municipais/
